março 11, 2006

 

COMUNHÃO SOLENE ÀS CRIANCINHAS

Rebordosa, 10-6-1939

Há 33 anos que na pequenina Ermida de Besteiros, cujo Pároco de saudosa memória era o Reverendíssimo Padre Albino Pacheco Dias Torres, foi a minha primeira comunhão.
Que alegria eu senti nesse dia, tendo-o ainda bem vincado na memória...
33 anos são passados com poucos minutos de alegira, comparando-os com as responsabilidades morais e materiais que voluntariamente contraí.
Como Deus é grande na sua Omnipotência, e foi aos 33 anos crucificado, chego às vezes a pensar que desanimar é morrer, é perder a vida, é perder tudo!
Tenho um pombal à beira-mar com cinco pombinhos, e desejava que fossem todos alimentados com o pão Celestial, mas três já foram chamados pela Providência à sua guarida. Cinco, só cinco tenho a meu lado, coitadinhos!
Assisti à comunhão solene em Rebordosa, vi lágrimas e sorrisos, como nos tempos do Reverendíssimo Abade desta freguesia, Padre Manuel Martins da Costa.
O nosso jovem Pároco, como verdadeiro ornamento de classe a que pertence, quis este ano e muito bem, desviar os seus paroquianos de gastar inutilmente, em pão de ló e doces, aquilo que tantas vezes lhes fazia falta e sérias apreensões durante o ano, e com razão. Pois o efeito da prática foi contraproducente, como se verificou.
Assim como o leito dum rio é difícil de mudar ou desviar do mar, assim o povinho da nossa terra, metendo o nariz... é lá para a frente!
Prendas e enormes tabuleiros de doces em honra da menina Esmeralda, filhinha querida e gentil de Joaquim Moreira dos Santos e sua excelentíssima esposa D. Maria Emília da Costa Pereira!
O pão de ló era bom e o senhor Abade o poderá dizer, porque também comeu algum quando assistiu com seus ilustres colegas às provas, não é verdade?
Meu cunhado Albino Moreira dos Santos tinha tantas roscas de pão de ló e doces em honra de sua filhinha, que não cabendo por cima das mesas belamente ornamentadas, estavam por cima das camas, sob a vigilância disciplinada do digníssimo compadre e distinto Tenente da Guarda Republicana Ernesto M. Santos.
O António Carlos Martins e Manuel do Bairro, em honra de seus filhinhos, mobilizaram todas as carreteiras para levarem para sua casa pão de ló e doces. Até deixaram de comprar trigo aos padeiros, eubstituindo-o por esta doçura na primeira semana.
Também admirei duas coisas: as músicas dos Bombeiros Voluntários de Paredes, que pela primeira vez veio a Rebordosa e agradou! E os doceiros radiantes por ser o primeiro ano do melhor negócio que fizeram.
Pintarroxo


Comments: Enviar um comentário



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?